nenhum rei aparecerá para oferecer mirra
nem os animais se debruçarão para contemplar
o pai virará a cara desde já
ele não é o pai
peregrinação para fugir do massacre
não adiantará
o futuro é de pedras e açoites
águas nervosas
nãos repetidos
nos montes, as mãos postas
abandono
não salvo
não morro
não choro
as pernas quebradas
o flanco espetado
o olhar esquivo da mãe
e da puta
o irmão não olha mais fixo
ninguém olha mais
minha casa é um pão sem fermento
meus fiéis não fazem preces
nada
ninguém se salva
ninguém revive
ninguém sobrevive
no inferno, à deriva
visto negro
no monte repleto de caveiras insurrectas
sou sangue
eu sou um esquecimento nos olhos de um deus
o sofrimento nos olhos da puta
um grito nos lábios de uma mãe
a tempestade desmancha meus gritos pela madeira
o terceiro dia virá
e eu estarei morto
como todos.
nem os animais se debruçarão para contemplar
o pai virará a cara desde já
ele não é o pai
peregrinação para fugir do massacre
não adiantará
o futuro é de pedras e açoites
águas nervosas
nãos repetidos
nos montes, as mãos postas
abandono
não salvo
não morro
não choro
as pernas quebradas
o flanco espetado
o olhar esquivo da mãe
e da puta
o irmão não olha mais fixo
ninguém olha mais
minha casa é um pão sem fermento
meus fiéis não fazem preces
nada
ninguém se salva
ninguém revive
ninguém sobrevive
no inferno, à deriva
visto negro
no monte repleto de caveiras insurrectas
sou sangue
eu sou um esquecimento nos olhos de um deus
o sofrimento nos olhos da puta
um grito nos lábios de uma mãe
a tempestade desmancha meus gritos pela madeira
o terceiro dia virá
e eu estarei morto
como todos.





