para quê, falar?
Eu,
uma eterna espinha
entalada na garganta
no meu destino
o coração
impuro
para quê, Eu?
não tenho pena para
escrever
nem dó
ré
retrospectiva das coisas
memória sem rio
sem barca
réu sou da comiseração
mais tola
línguas e perdições
sim
isso quero
como a espinha de um peixe
entalada na minha goela
Eu
para quê, saber?
queimados os ossos voam
até o branco da eternidade
dos dentes
beijam as nuvens que guardam
as cinzas
Eu
não resto
sobram os peixes eviscerados
as facas
os canivetes
as línguas cortadas
os horizontes decepados
de um pudor oleoso
que a tudo abraça
resta
o meu destino
um colar
de aleluias
e bisturis
Eu,
uma eterna espinha
entalada na garganta
no meu destino
o coração
impuro
para quê, Eu?
não tenho pena para
escrever
nem dó
ré
retrospectiva das coisas
memória sem rio
sem barca
réu sou da comiseração
mais tola
línguas e perdições
sim
isso quero
como a espinha de um peixe
entalada na minha goela
Eu
para quê, saber?
queimados os ossos voam
até o branco da eternidade
dos dentes
beijam as nuvens que guardam
as cinzas
Eu
não resto
sobram os peixes eviscerados
as facas
os canivetes
as línguas cortadas
os horizontes decepados
de um pudor oleoso
que a tudo abraça
resta
o meu destino
um colar
de aleluias
e bisturis






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