Domingo, Novembro 08, 2009

Dos Canivetes [2ª versão]

para quê, falar?

Eu,
uma eterna espinha
entalada na garganta
no meu destino
o coração
impuro

para quê, Eu?

não tenho pena para
escrever
nem dó

retrospectiva das coisas
memória sem rio
sem barca
réu sou da comiseração
mais tola

línguas e perdições
sim
isso quero
como a espinha de um peixe
entalada na minha goela
Eu

para quê, saber?
queimados os ossos voam
até o branco da eternidade
dos dentes
beijam as nuvens que guardam
as cinzas

Eu

não resto

sobram os peixes eviscerados
as facas
os canivetes
as línguas cortadas
os horizontes decepados
de um pudor oleoso
que a tudo abraça

resta

o meu destino
um colar
de aleluias
e bisturis

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