Sábado, Dezembro 17, 2011

Céu de dezembro

a clausura só me impediria de ver as coisas 
se me vendassem os olhos
vendessem meus livros,
fechassem as minhas portas interiores
enquanto isso meus olhos seguem ao redor,
adentrando nas frestas do abandono
e das festas solitárias que vez ou outra me permito
como em uma extinção sonhada 
que se desenha nas entrelinhas 
noite após noite no emaranhado de céus apagados 
desenhados com pó
cobertura das minhas paredes, cortinas em meus olhos 
fugitivos de alucinações de meteoritos
impregnados de eternidades
como esses quartos e corredores cheios de vozes
sem fragrâncias
sem matemáticas capazes de calcular o início 
e o fim das histórias
as histórias sem fim: iludidas no desaparecimento do tempo
absorvido em trinta e um dias, cheios de feriados
com milhões de solidões correndo nos arruamentos
tentando esperar os janeiros

2 comentários:

Carol Freitas disse...

É como diz a canção: 'calendário que nunca chega ao fim...'

Eu adorei isso!

ℓ.mirella disse...

Eita! Gostei muito desse =)

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