a clausura só me impediria de ver as coisas
se me vendassem os olhos
se me vendassem os olhos
vendessem meus livros,
fechassem as minhas portas interiores
fechassem as minhas portas interiores
enquanto isso meus olhos seguem ao redor,
adentrando nas frestas do abandono
e das festas solitárias que vez ou outra me permito
adentrando nas frestas do abandono
e das festas solitárias que vez ou outra me permito
como em uma extinção sonhada
que se desenha nas entrelinhas
que se desenha nas entrelinhas
noite após noite no emaranhado de céus apagados
desenhados com pó
desenhados com pó
cobertura das minhas paredes, cortinas em meus olhos
fugitivos de alucinações de meteoritos
impregnados de eternidades
impregnados de eternidades
como esses quartos e corredores cheios de vozes
sem fragrâncias
sem fragrâncias
sem matemáticas capazes de calcular o início
e o fim das histórias
e o fim das histórias
as histórias sem fim: iludidas no desaparecimento do tempo
absorvido em trinta e um dias, cheios de feriados
com milhões de solidões correndo nos arruamentos
tentando esperar os janeiros






2 comentários:
É como diz a canção: 'calendário que nunca chega ao fim...'
Eu adorei isso!
Eita! Gostei muito desse =)
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