Sexta-feira, Dezembro 30, 2011

Das deliberações

da vista dupla sobrará apenas os paradoxos 
e as ambiguidades,
não o óculos embaçados que recolhe os vestígios
e a vida estagnada de um mundo envidraçado - 
olhos vidrados -
volúveis: enrolados nas considerações enumeradas
nas deliberações construídas com o cimento dos meses
e com a aniquilação das poesias e dos bancos molhados
naquele estúpido despertar do verão
onde tudo parece ficar suspenso, inerte, cansado
mole como as reflexões incompletas 
os espelhos derretidos levando os demônios com eles
dos paradoxos só restarão as suposições 
errôneas, talvez, das sombras projetadas
as relvas nunca pisadas de outros sonhos
a meditação entardecida dos olhos com hipermetropia
flagrando que não poderia ser dito
escrevendo o que não poderia ser deliberado
a avidez insólita depositada nos rincões da escuridão
espessa dessas presenças fragmentadas
riscadas em versos e avessos carregados pelo invisível
oblíquo de um amanhã sem luz
purificado na contemplação do horror, do inusitado

2 comentários:

brãbous disse...

Fazia tanto tempo que eu não lia algo que não é em prosa.
Gostei muito, porque é como se o poema me puxasse e trouxesse algo novo, não pesado como as deliberações que construo com o cimento dos meses. :)

Alisson da Hora disse...

Valeu, querida!

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