busco as frases de efeito
defeituosamente vivo as frases
efetivamente surdas nas ruas
silenciosamente inscritas em mim
nas quais ouço os nomes
e as mesmas coisas tolas de sempre:
escrevo como se estivesse preso
nas dobras do tempo esmigalhado
nos erros, nas errâncias
nos tropeços irados das vacâncias
presentes nas projeções das palavras
nas ruas desambientadas do amanhã
totalmente perdido do estoque de ressurreições
enumeradas, de solidões em fio
manhãs sem sons
de um pairar de cadernos rotos
capengas, cruéis e pesados
do peso dos corações culpados
no ritmo dos versos sem compasso do agora
busco o meu próprio defeito
em efeito vivo o horizonte de um sábado
sem aleluias
arrebentado na distinção de horas vivas e horas cinzas
desconexas
como a sintaxe agoniada do sonho indisciplinado
daqueles, nervosos, nos quais acordamos dentro
e percebemos que ainda dormitamos
sem palavras






5 comentários:
Alisson, a quanto tempo devo a ti, mas sobretudo a mim, uma olhada atenta nesse blog que é um dos meus livros favoritos porque a quantidade de páginas extraordinárias é mutável e crescente.
Logo quando volto a visitar o pontispopuli encontro este poema tão incomumente interior. Lembrei de imediato de quando me disseste que o importante não são as frases de efeito, pois o efeito está (ou deveria) no poema inteiro e me mandaste uns textos de Maiakóvski. Sem dúvida este aqui é um poema de efeito devastador.
"escrevo como se estivesse preso...
nos tropeços irados das vacâncias presentes nas projeções das palavras"
me vi aí, mestre.
Um dos poucos lugares que venho ler sossegadamente e sei que aqui encontrarei não palavras de acalanto...Mas, palavras divinas de um humano caminhante, agonias do ser...Um grande abraço, mais que belo o texto, real, senti-me nele a todo momento mergulhada...em seu silêncio, roto!
Ora, só posso agradecer! =D obrigado!
Realmente... sem palavras.
Beijinhos carinhosos e bom fim de semana!
Que obra genial e bela nobre lord!
Parabéns!
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