toda hora ao dormir sobrevém uma insônia
sobrevém uma insônia e as prisões intangíveis
dos golfos arrostados da transitoriedade
das vozes silenciosamente obscenas
as prisões de sensações, os ectoplasmas
os paradeiros frívolos, desentendidos da realidade
toda hora toda insônia
ao dormir recai o testamento dos sonhos
a razão diminuta das coisas insistem nos muros
do acordar
e na fala cansada da ressaca da vigília
que moram nos presságios que nos põem nervosos
o odor acre das fragilidades e dos medos
nas curvas abismais que às vezes vemos
ao olharmos as margens da cama
o fundo do olho o universo desencantado
de tantos foguetes falhos e de tanto discurso frouxo
a cada hora toda insônia vem,
range nas dobradiças dos olhos emperrados
e encerra os paradoxos das duplicidades
joga tudo ao alto ao longe ao irracional das vontades
sobre o sentir, o dizer e o calar
o calor e o frio que antecedem
o levantar






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